segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

INTRÍNSECO

Não sei onde vou parar
Com essa tentativa absurda de exprimir
Sentimentos entulhados em um canto qualquer

Precisaria me desfazer
Da imundície que enegrece o meu ser
Que faz verter lágrimas secas
E expelir palavras vazias

Está intrínseco o sentimento de falha
Da imperfeição que me caracteriza
E causa ojeriza a quem chega bem perto

Perco tempo nesse momento
Mirabolando algumas desculpas
Para justificar o fato de ser assim

ESCOLHA?

Eu escolhi a ilusão
Acreditar em uma verdade camuflada
Viver a metáfora da existência
Como se tudo fizesse algum sentido

SOBRE O USO E ATRIBUIÇÕES DAS PALAVRAS

Palavras são só palavras
São arbitrárias
Nos induzem ao erro de pensar
Que o mundo pode ser belo
E que um sentimento pode ser verdadeiro

Mas sem palavras não haveria existência
O pensamento seria disperso
O mundo não seria mundo
O verso não seria verso

POEMA ÓRFÃO

O poema nasceu órfão
Abandonado na folha de papel
Papel branco e monótono
Onde tudo era vazio

E o poema era mudo
Porque não o ensinaram a falar
Mas em sua métrica desregrada
Mesmo que não dissesse nada
Era incompreendido